quarta-feira, agosto 30, 2006

para os quarentões

"Tragédia inusitada na vida de uma Macho"

Andava mijando errado.

Com as urina em atraso

Era uma gota no vaso

Três ou quatro na lajota

Quando não era nas bota

Na bombacha ou no escarpim

Eu mesmo, mijando em mim

Que tamanha porcaria

E o meu tico parecia

Uma mangueira de jardim

O pensamento mandava

O pau não obedecia

Quando a bexiga se enchia

Eu mijava à prestação

Pra o banheiro, em procissão;

Uma ida atrás da ôta

Numa mijada marota

Contrastando com meu zelo

Pra beber, era um camelo;

E pra mijar, um conta-gota.

Depois de passar um bom tempo

Convivendo com esse horror

Fui-me atrás de um doutor

Que atendesse meu pedido

Desse-me algum comprimido

Pra eu empurrar goela abaixo

Tenho certeza, não acho.

Que bem antes que eu prossiga

É importante que eu diga

Que não deixei de ser macho

Mas buenas, voltando ao causo.

Que é natural que eu reclame

Depois de um monte de exame

De urina e ecografia

E até fotografia

Da minha arma de trepa

Obrigaro-me deságua

Ajoelhado num pinico

E me enfiaro um troço no tico

Que me dói só de lembra

Ainda dei o meu sangue

Pra o vampiro diplomado

Pensei que tinha acabado

Só me faltava a receita

Já tinha uma idéia feita

Trato-me e adeus, doutor.

Recupero o mijador

Nem sonhava em concluir

Que alguém iria invadir

Meu buraco cagador

Fiquei bem contrariado

Tomei um baita dum choque

Quando me falaram em toque

Achei bem desagradável

Pra um macho é coisa impensável

Um dedão campeando vaga

No lugar que a gente caga

Vejam só o meu dilema

O pau é que dá problema

E o meu cu é que paga

Tentei todos argumentos

Me esquivei o quanto pude

Mas se é pra o bem da saúde

Não deve me fazer mal

Expor assim meu anal

Fazer papel de mulher

Nem tudo que a gente quer

Ta de acordo com os planos

Fui derrubando meus panos

E se salve quem puder

De cotovelo na mesa

A bunda véia empinada

No cu não passava nada

Nem piscava de apertado

Mas era um dedo treinado

Acostumado na bosta

E eu, que nunca dei as costas.

Pra desaforo de macho

Pensava, de pinto baixo

O pior é se a gente gosta

Pra mim foi mais que um estupro

Aquilo me entrou ardendo

E então eu fiquei sabendo

Como se caga pra dentro

Aquele dedo nojento

Atolando-me sem piedade

Judiou-me barbaridade

Que alívio quando saiu

Garanto pra quem não viu

Que não vou sentir saudade

Enfiei a roupa ligeiro

Com vergonha e desconfiado

Vai que o doutor abusado

Sem pena das minhas prega

Chamasse um outro colega

Pra uma segunda opinião

Apertei o cinturão

Fiz uma cara de brabo

Dois mexendo no meu rabo

Aí seria diversão

Depois daquela tragédia

Que pior pra mim não tem

Não comentei com ninguém

Pra evitar o falatório

Se alguém fala em consultório

Bate-me um pouco de medo

Não faço nenhum segredo

Dessa macheza que eu trago

Mas cada vez que eu cago

Lembro-me daquele dedo

Macho que é macho faz o exame de toque e fica vivo!

Sérgio Antonio Schwertz

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